terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Da adopção...

Tenho lido em alguns blogs que sigo com muito carinho, falar sobre a devolução de crianças adoptadas... Sempre quis adoptar, e ainda mais depois de saber que não poderia ter filhos. Fiz voluntariado numa instituição que acolhe bebés e já com os papéis de adopção tratados, foi-me dada uma criança com 3 meses, cuja mãe era toxicodependente... Fiquei feliz demais, estava separada do Nuno, mas inscrita com ele e dispus-me a voltar para casa por esta criança. As coisas não correram bem e a mãe decidiu injectá-lo e a ela de seguida com uma overdose de Heroína, morreram ambos... Chorei por este bebé como se fosse um filho, sofri a perda dele como se o tivesse carregado no ventre.
Já estava grávida do Rafael, mas não sabia. E Rafael era o nome dele.
Nessa instituição vi muita coisa. Vivi muita coisa, e aprendi outras tantas... Não sabia que era possível "devolver" crianças. Para mim adoptar é um acto de AMOR. E se o queremos é porque queremos muito um filho e os filhos não se devolvem.
A Francisca tinha 3 anos e uma história complicada. A mãe rejeitou-a à nascença. Viveu sempre em instituições. E esteve para ser adoptada 4 vezes, era sempre devolvida. Porque tinha pesadelos e gritava de noite... Era uma menina doce e carente e a cada nova voluntária, fazia a mesma pergunta:"És tu a minha mãe?"... ela queria ter uma mãe. Agarrava-se a nós como uma tábua de salvação e cada vez que voltava dizia triste "esta mãe também não me quis", imaginam o trauma?? Não, ninguem imagina... tinha 3 anos e sofria porque ninguem a queria. Eu teria ficado com ela de boa vontade, mas não era possível e finalmente ela foi adoptada, por uma mãe paciente e com um coração pleno de amor. E está feliz! TEM UMA MÃE! Isso basta para a fazer feliz.
Estas crianças sofrem por serem abandonadas e rejeitadas uma vez, não o façamos de novo!
Quando adoptamos, também nos adaptamos. Quando temos filhos, fazemos sacrificios. Quando adoptamos e quando temos filhos, amamos. Porque se assim não for, não vale a pena tê-los ou ir buscá-los. Não devolvemos, ou abandonamos os nossos filhos porque eles gritam de noite ou têm notas negativas.  Amamo-los incondicionalmente porque deveria ser a nossa natureza. Adoptar é adaptar com outras letras, mas também é amar. Se não temos a certeza, não devemos sequer dar inicio ao processo, se o fazemos terá de ser de coração e mente aberta e aceitar como aceitamos os nossos filhos. Porque é assim que lhes vamos chamar, NOSSOS.

5 comentários:

Tânia (Mamã do Santiago) disse...

è msm triste :(

Futura mãmã disse...

E verdade..eu escrevi sobre isso no meu blog....
Acho que essas pessoas nao podem ou devem ser chamados nunca de pais .
Beijo

Duchess disse...

Mais uma vez me emocionei com a tua estória. Obrigado por a partilhares.

Patricia disse...

Estou aqui a controlar-me par n chorar. A adopção sempre fez parte dos meus sonhos de vida. Não sei se algum dia o concretizarei. Com toda a sinceridade. Mas doi-me muito pensar nessas crianças. Muito mesmo. E adorava poder dar-lhes a família com q sonham. ainda q a minha não seja perfeita... Um bj

Mamã da Caroxinha disse...

Um assunto delicado e nºao fazia ideia que tinhas passado por isso...
A reportagem que deu na tv deixou-me enojada com a quantidade de gente má que existe por aí...não sei como se é capaz de devolver uma criança e nem fazia ideia que que há tantas situações dessas...
Não sei se teria coragem de adoptar, mas se algum dia o fizesse jamais devolveria o meu filho fosse pelo que fosse...