terça-feira, 11 de setembro de 2012

A conjuntura socio-económica e as pessoas!

A crise está na ordem do dia. Toda a gente, sem excepção comenta que a crise isto ou que a crise aquilo. Também eu me sinto enredada nesta espiral de acontecimentos, somos 3 lá em casa, dois trabalham e parece que o dinheiro nunca chega ao fim do mês por mais ginástica que se faça. Mesmo sendo optimista e tentando ver o lado positivo das coisas a maior parte das vezes também desanimo.

Vejo todos os dias empresas a fechar, ou pessoas a lutar para se manterem à tona. Trabalho em contabilidade e todos os dias sem excepção há alguém que nos vem perguntar o que fazer para fechar a empresa, para vender uma quota, para fazer uma acordo de dívida. Custa muito manter a esperança no meio desta conjuntura. Parece não haver saídas. Um dia uma amiga queixa-se porque detesta o seu emprego e o patrão é injusto e tenta procurar outra coisa mas não há. No dia seguinte um amigo telefona a dizer que vai fechar a sua empresa porque não aguenta tantas dívidas, porque o mercado está parado e se eu souber de algum emprego - seja ele qual for - que lhe diga. Depois há as conversas ao fim-de-semana daqueles que felizmente ainda mantém o emprego, que o ptrão reduziu horários, que ainda não receberam subsidios, etc, etc...

Eu estou feliz no meu emprego, o meu ordenado tem sido pago a tempo e horas. Mas dependo de outras empresas para manter o meu emprego. E não sou péssimista, mas começo a ficar preocupada. tenho um filho para criar, contas para pagar e objectivos que gostava de cumprir. Tenho sonhos por realizar. Uma relação que quero manter. Raramente o amor se dá bem com a falta de dinheiro. "Um amor e uma cabana" é coisa de filmes. Na realidade as separações aumentam porque a falta de dinheiro se acentua e os divórcios diminuem... porque não há dinheiro.

Temos medo e vivemos no medo. Medo de arriscar, de investir, de ir mais além. Falta-nos a esperança de que as coisas melhorem. Tememos o nosso futuro e o dos nossos filhos. Arrependemo-nos de gastar mais de 0.60 cêntimos por dia. E se não gastamos a economia não evolui. Não temos férias descansadas, o dinheiro não deixa. Desistimos de projectos, encaixotamos sonhos, e lamentamo-nos. Que mais podemos fazer?
Sofremos e vemos sofrer à nossa volta. Há privação do essencial, há falta do que faz falta e como reagir?Até quando continuaremos sem esperança? E a viver no medo? A crise, está instalada. A nivel económico, a nível social e até a nível moral. E a maioria de nós não vê saídas.

4 comentários:

Maria Bem Me Quer disse...

Está mesmo muito complicado.
Eu também sou assistente de contabilidade e vejo isto muito mal parado.
Nunca ganhei tão pouco dinheiro como ganho hoje. As coisas estão cada vez mais caras, os serviços essenciais, água, luz e gáz, estão pela hora da morte. Idas ao supermercado são verdadeiras tormentas. Não sei mesmo o que querem fazer connosco.
Não sei.

O Sexo e a Idade disse...

Ora até que enfim um post lúcido, sereno e muito realista.
Sem opções em Portugal, vemo-nos obrigados (quem consegue) a sair do país e a viver longe da familia que tanta falto nos faz...

Cris ♥ disse...

É lamentável o que estão a fazer ao nosso país. Temos um cantinho maravilhoso mas infelizmente não temos quem saiba cuidar dele. A incerteza quanto ao futuro tira-me o sono!!!!!

Mamã Petra disse...

Também convivo todos os dias com essa realidade, também eu já me fizeram tantos cortes que já ganho 1/3 do que ganhava há 3 anos, e agora nem sei quanto me vai sobrar depois de mais estes cortes, pela 1ª vez estou verdadeiramente revoltada, foi a gota de água o aumento da TSU e do IRS.

Beijinhos