quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Cabeça a mil ou dia menos sim...

Hoje estou farta de pensar na minha vida, em todo o meu percurso, em como cheguei aqui.
Tenho 33 anos, namorei 10 anos com o Nuno e estamos a viver juntos há 7, a minha adolescência passou-me ao lado tantas foram as preocupações e problemas, depois o Nuno entrou na minha vida e ficou com a possibilidade de lhe dar e tirar cor. Entre nós nem sempre foi um mar de rosas, mas eu sei que sempre o amei. A certeza que ele me ama veio há pouco tempo. No momento em que saí de casa, por... estar cansada de stresses, chatices e "piquinhices", e sem dúvida a falta de um filho.  Supostamente eu não podia ter filhos, tive (tenho?) um tumor cerebral, benigno, não operavel que me deu cabo do organismo inteiro, tive metastases nos óvarios, no peito, etc. Achei que indo embora, dava-lhe a ele a possibilidade de ser feliz e constituir uma família, e me dava a mim a oportunidade de... sei lá de que :-(
Conheci o pai do Rafael em Novembro de 2009 e envolvemo-nos em Junho, a primeira e única vez e engravidei... EU NÃO PODIA TER FILHOS!!!! Saber que estava grávida deu-me uma enorme alegria, queria fazer as coisas bem, queria casar, dar um lar ao meu filho, e o pai dele concordou ficou todo contente. A familia de ambas as partes felicissima (embora na minha houvesse sempre a conversa velada do " se fosse do Nuno era bem melhor"), combinamos tudo para casar, ficar juntos e recomeçar (ele mora no Porto e eu perto de Lisboa)... e eu sentia-me INFELIZ, porquê?? Era tudo o que eu queria, um bebé... Mas não era da pessoa que eu amava. Chorava todos os dias, pedia desculpa ao meu filho todos os dias, cheguei a pensar (e arrependo-me) que era melhor que ele não nascesse.
A sociedade pedia-me o impossível... ficar com quem não amo. Não podia continuar... decidi ficar sózinha. Desmarquei o casamento, afastei-me do pai do Rafael, queria desaparecer... E tinha sempre o Nuno, que sofreu imenso com a noticia do bebé, do casamento, e mesmo assim esteve lá para me dar o ombro, para me amparar. Comecei a ponderar voltar para nossa casa, para as nossas coisas, mas não achava justo para ele. E a SOCIEDADE não apoaria, os pais dele, a familia do pai do Rafael, o pai do Rafael... a minha mãe ainda me disse que era loucura, mas a minha familia sempre me apoiou e queria ver-me feliz. Depois de muitas conversas decidi voltar e choquei quase toda a gente.
Não me orgulho de nada disto, sei que o meu filho será sempre uma criança "dividida", sei que o pai dele vai sempre chatear, terei sempre presente que para meu grande desgosto ele não é filho do meu grande amor... e receio que tudo se volte contra mim...
Espero que ele mais tarde compreenda que também o fiz por ele, para que fosse criado por um Homem.
Espero que o meu amor por ele chegue para que ele entenda esta minha opção.
Espero fazer o Nuno muito feliz.

desculpem tanta lamechice e um post tão longo, estava ,mesmo a precisar!!

4 comentários:

Tânia (Mamã do Santiago) disse...

Bem que historia...

Olha a tua grande vitoria é sem duvida admitires tudo que sentes...e assim seras sem duvida feliz

Mami ( Sónia ) disse...

O teu filho vai-te admirar de certeza. Por teres tido a coragem de seguir o teu coração, de ires à luta pela tua felicidade. Vais ver que vais ser muito feliz mais o teu filho.
Beijinhos

Kris disse...

E è sem duvida...uma linda historia de amor...a 3!!
Tiveste a coragem que muitas mulheres nao tiveram, e vivem o resto da vida infelizes, somente para nao encararem aquilo que a sociedade "dita"!
Beijos, e as maiores felicidades!

Mamã do Príncipe Pipoca disse...

Antes de mais deixa-me dar-te os Parabéns!!E porquê? Por teres coragem de ser FELIZ, de optares pela via do amor e não pela via do conformismo, escolhida por muitos por pensarem que é a mais fácil. (mas não é)
Nada é certo nesta vida trapaceira que gosta tanto de nos pregar partidas, mas uma coisa posso garantir o teu filho será sempre mais feliz se crescer no amor do que no fingimento.
Deves ter orgulho de ti por teres sido tão corajosa!
Beijinhos grandes cheios de força!